quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Paraíba do Sul comemora 182 anos



Pórtico de entrada da cidade
Parahyba do Sul foi fundada em 1683 pelo bandeirante Garcia Rodrigues Paes, filho de Fernão Dias Paes, o conhecido “Caçador de Esmeraldas”. Na época das crescentes descobertas de ouro nas Minas Geraes, El Rey de Portugal determinou a criação de um novo caminho que fosse mais rápido possível entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais. O caminho velho, de Barbacena se desviava até chegar a Paraty e de lá, de barco até o Rio de Janeiro, o que facilitava ação de piratas. Garcia foi bandeirante desde adolescente, quando aos 13 anos acompanhou o pai em sua caça às esmeraldas, empreitada essa que durou 7 anos e não teve sucesso. 
Pórtico de entrada da cidade

























Depois de levar o corpo do pai até São Paulo para enterrá-lo, cumprindo promessa que fizera a este, Garcia, quase de bate pronto iniciou sua jornada para a abertura do Caminho Novo.
Vista aérea da Praça Carmela Dutra, atual Praça Garcia
Partindo de Barbacena, naquela época Borda do Campo, o bandeirante veio seguindo trilhas dos índios Puris e, ao chegar aqui, mais ou menos no meio do caminho e em frente a um remanso do Rio Paraíba (atual Jardim Velho – Pça Marques de São João Marcos), decidiu fincar bandeira, tomar posse e aqui estabelecer uma fazenda para dar apoio às tropas que levavam o ouro de Minas para o Rio de Janeiro. Essa posse não foi totalmente pacífica, pois os índio Puris eram guerreiros e não se entregaram facilmente – a região era conhecida como “sertão dos índios brabos”; a tarefa encomendada pelo Rei de Portugal não era somente abrir o Caminho, mas também provê-lo de paragens e postos de abastecimento ao longo do trecho.
Centenário Jardim Velho
Foi o início do segundo grande ciclo de desenvolvimento econômico do Brasil, seguido do ciclo da cana de açúcar; o ciclo do ouro proporcionou a interiorização do país, trazendo o progresso para o interior. Paraíba do Sul foi o primeiro núcleo de civilização na região serrana e central do atual Estado do Rio de Janeiro;


Vista do centro da cidade
Já consolidada como vila, Paraíba do Sul experimentou grande progresso no Ciclo do Café, com numerosas fazendas, gerando grande riqueza na área rural. Era a época dos Barões (Viscondes, Marqueses, Condes e etc) onde muitos se destacaram por sua generosidade e nobreza de espírito. Os filhos e netos dos primeiros fazendeiros de café, tiveram educação privilegiada, muitos deles estudando fora do país, especialmente em Paris, que era o centro cultural mais importante da época. Toda essa riqueza gerou grande desenvolvimento na cidade, mas vale lembrar, às custas dos mais de 18.000 escravos que deram seu suor e sangue por esse progresso.
Praça Carmela Dutra, atual Praça Garcia
A Vila da Parahyba obteve sua autonomia administrativa por decreto de 15 de janeiro de 1833, autorizando a criação da Câmara Municipal. Pelas leis da época, o Presidente da Câmara era quem administrava a cidade, pois o cargo de Prefeito não existia (só foi criado na República). A instalação da nova Câmara somente se deu em 15 de abril de 1833 quando tomou posse os primeiros vereadores da Vila.
Vista parcial da cidade
No decorrer de sua história, destacam-se alguns episódios interessantes, com a seguir:
- Em 1822, pouco antes da independência, Dom Pedro I esteve em Paraíba do Sul, e de um ribeirão onde se refrescava, escreveu a famosa carta, que confirmava seu temperamento despojado;  assim começava a carta: “Meu amigo, nú em pêlo, pego de pena para participar que vamos bem...” O Imperador escreveu a tal carta completamente nu. 
Estação ferroviária, atual Centro Cultural
- Em 1831 numa segunda viagem a Minas Gerais, Pedro I por aqui passou e como de costume, pernoitou numa das fazendas da cidade. Portanto temos registro de duas visitas e D.Pedro I a Parahyba.
Rua do Fórum, atual Alfredo da Costa Matos Júnior
- Tiradentes, o alferes, tinha no distrito de Sebollas um de seus principais pontos de apoio e por lá pregou a independência (Inconfidência Mineira) o que lhe custou a vida. É aqui, em Paraíba do Sul o único túmulo conhecido do mártir da inconfidência, pois como se sabe, seu corpo foi esquartejado, e aqui em Paraíba do Sul – em Sebollas – ficou seu braço exposto num poste em frente à Fazenda de Sebollas, para servir de exemplo. Dona Ana Mariana Barbosa, na calada da noite, mandou descer o escárnio e sepultá-lo no antigo cemitério local.
Santuário do Bom Jesus de Matozinhos
- Quando da revolta de Minas Gerais, que quase promoveu a independência daquela região, Paraíba do Sul teve importante papel na manutenção da unidade do  Brasil, pois foi aqui o Quartel General onde o Duque de Caxias organizou o ataque aos rebeldes mineiros em várias frentes, e saiu vencedor, mantendo o Império do Brasil unido.
Visão noturna do Coreto do Jardim Velho
- As águas minerais Salutaris foram descobertas no final do século XIX e suas fontes com três tipos de água: Ferruginosa, Magnesiana e Alcalina. Eram, na época consideradas milagrosas, por seus comprovados efeitos terapêuticos, especialmene a ferruginosa para anemias e as magnesianas para males do estômago além das alcalinas. Nas décadas de 30 e 40 eram muitas as visitas à estância hidromineral à procura de cura para seus males, especialmente os mais abastados, que passavam aqui temporadas em tratamento.
Vista aérea de parte do Jardim Velho
- No ano de 1906 essa água mineral participou da Exposição de Paris onde ganhou medalha de Ouro. Antes, em 1904 foi medalha de prata em São Luis e em 1908 Ouro no Rio de Janeiro, comprovando sua qualidade superior e grande prestígio no mercado.
- O conde Cândido Mendes possuía aqui sua tipografia, onde foi  impresso o Atlas Geográfico que ganhou medalha de ouro na Exposição de Paris em 1906 (data não confirmada).
Praça Carmela Dutra, atual Praça Garcia
- Carlos Gomes, o poeta autor da ópera o Guarani, aqui em Paraíba do Sul se inspirou para a composição da ópera “Schiavo” –  uma parte denominada Céus da Parahyba.
Plataforma da Estação Ferroviária
- Procópio Ferreira, Ghiaroni, Agripino Griecco, Marechal Aché, Dias da Rocha, Soares de Souza Jr (autor do hino do estado do Rio) também tiveram importantes passagens por aqui.
Atual Avenida Ayrton Senna, próximo ao Pontilhão
- A ponte da Parahyba do Sul, obra de arte desenvolvida especialmente para ser montada aqui, é única no mundo e foi a primeira ponte a cobrar pedágio no Brasil. Na época, suas peças em ferro fundido nas oficinas do Barão de Mauá, em Niterói, tinham que ser pequenas e leves o suficiente para atravessarem a serra em lombo de burro, para aqui serem montadas. Esse engenhoso sistema foi inventado pelo engenheiro inglês Thomas Dogson, personagem, como tantos outros, esquecido por nossa história. Ainda hoje resiste ao pesado tráfego de caminhões e é patrimônio tombado pelo INEPAC.
Pórtico de entrada

Texto: Ricardo Wendling

IHGPS - Instituto Histórico e Geográfico da Parahyba do Sul

Fotos atuais: Geraldo Dias Filho (Maninho)







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