quinta-feira, 20 de março de 2014

Riachuelo Esporte Clube comemora cem anos de existência

Um passado que retrata o presente

O Riachuelo completa 100 anos em 20 de março de 2014. Poucos são os clubes no Brasil com essa idade, principalmente no interior. “Reuniram-se anteontem na residência do Sr. Raul de Castro Filho (um casarão no XV de Novembro, nº8, local do 45 de hoje) os rapazes que tomaram a deliberação de criar mais um clube de futebol.” (“O Liberal” de domingo, 22 de março de 1914).
Da direita, Ari Cordeiro, Emidio Chavier, Walmir Onofre, Jorginho, Fátima Cerqueira
João Lemos, Jarbas Stelman, Bibi e Saninha

O Riachuelo foi o terceiro clube fundado em Paraíba e seu nome escolhido por Plínio de Carvalho e Silva, eleito tesoureiro. Era sobrinho do Pe. João Xavier de Carvalho, dono de “O Liberal” e do cinema da Rua da Estação (local da casa de móveis junto ao Bradesco).
Lilico, um dos fundadores do Rec

 O nome estava então em voga nos jornais, pois “Riachuelo” se chamava o mais poderoso encouraçado do mundo, e que o Brasil tinha em construção na Inglaterra. Seis meses depois da fundação do clube estourando a Primeira Guerra Mundial, aquele país requisitou-o do Brasil para o incorporar naquela emergência à sua esquadra.
Antigo time de futebol e seus diretores no Riachuelo 

O futebol começou em Paraíba na tarde de junho de 1911 em que o estudante em férias Renato Mafra Firmento, de 17 anos, colocou na Praça 4 de Dezembro (largo da Prefeitura) uma pelota de couro e passou a ensinar aos conterrâneos de sua idade o novo jogo que aprendera em “O Granbery”, de Juiz de Fora. E logo em setembro do mesmo ano o cinema do padre ajudou a divulgar ainda mais o futebol entre nós, com o “natural’ que exibiu da final do Campeonato Carioca de 1910 entre Botafogo e Fluminense.
Num plano especial da direita, Florestan Sr. Alfredo e Saninha

Renato Mafra e outros em outubro de 1912 (pelo menos) já haviam fundado nosso primeiro clube, o Parahyba F. C., cujo “ground” era a praça e as cores branco e preto. O segundo- camisa encarnado e branco - foi o Salutaris F. C., formado por operários das águas e fundado em novembro de 1913 (data precisa). Mas tanto ele quanto o pioneiro Parahyba foram logo superados pelo Riachuelo em organização como na “cancha”. A rivalidade logo surgiu e alimentou de inicio a vida dos três.
O Campo do Riachuelo já recebeu o ex-presidente Lula e o atual governador do Rio de Janeiro
Sérgio Cabral acompanhado de seu filho Marco Antônio

Da esquerda, Zé Carlinho, Rogério Onofre
e Fernandinho da Gráfica
O moço que cedeu a casa para a fundação do clube (a mesa em que a primeira ata do Riachuelo foi escrita tinha 3,50 x 1,20 m) era um carioca cuja família viera residir em Paraíba e aprendera futebol no Americano, do Rio. Foi o primeiro “captain” (técnico) auri-verde e hábil “player” (todos os termos no futebol iniciante eram em inglês, ele próprio “smart Sport”). Na única foto que temos de Raul de Castro Filho (1894-1927) ele está sentado a direita do presidente do Riachuelo, Angelo Pierre (1875-1946), no palanque da arquibancada momentos antes do Riachuelo 2 x 1 Juparanãense de 26 de julho de 1915 que inaugurou o primeiro estádio do clube, na Rua das Palhas. Essa é também a mais antiga fotografia que temos do próprio clube.

Para mais bem compreender e resumir a comprida história de 100  anos do Riachuelo melhor é dividi- lá em três períodos distintos: o que vai do entusiasmo da fundação ao marasmo e quase extinção que provocou a “Revolta de 1927”; o segundo, da recuperação imediata após a “Revolta” (campo novo na Salutaris em setembro de 1929, transformação em sociedade anônima em 1931, surgindo então o R. E. C., e inauguração do estádio definitivo- 19.03.1933), e mais 20 anos de domínio absoluto da vida sócio- esportiva da cidade; e o terceiro e dos últimos 61 anos, desde o desafio com o surgimento do Social (1953), quando o velho clube aceitou a competição e se superou e se renovou, construindo a sede e o estádio de que hoje se orgulha.
REC já foi palco de provas hípicas

A “Revolta” de 1927 ficou na história esportiva da cidade como seu mais cômico episódio. Bom homem, mas pachorrento e acomodado, na presidência do clube só Angelo Maria Visconti – “Angelino” (“Anjinho” em italiano) para a cidade inteira – não via que o Riachuelo estava morrendo, E não fazia coisa alguma! Resultado: seus próprios companheiros de diretoria se revoltam e pedem demissão. Em todos os pedidos Angelino despachou “Deferido”. E não mais tomou a decisão alguma! Na semana seguinte 19 sócios quites com o clube requerem “assembléia geral extraordinária para renovação total da diretoria”. E quando Angelino despachou requerimento com um “Indeferido” a revolta estourou. Para não ser destituído e expulso do clube, amigos  o convenceram em 22 de novembro de 1927 a renunciar.
Futebol sempre fez a alegria da população

De importante para a historia do Riachuelo no episódio é o registro como um dos demissionários da diretoria do nome de seu principal dirigente na difícil terceira fase (a partir de 1953). E tão importante foi sua contribuição ao clube que hoje o estádio tem muito justamente ao seu nome.
REC virou, literalmente, a casa do Papai Noel

O mineiro Alfredo da Costa Mattos Júnior (1903 – 1978) exercia em 1927 por certo seu primeiro cargo no Riachuelo – e logo tesoureiro! -, pois se tratava de jovem de 24 anos radicado havia pouco na cidade. Foi depois o popularíssimo “Alfredinho” (apesar da alta estatura), o principal fator da atual grandeza do clube. E ainda lhe legou a operosidade e mesma dedicação do filho, Almadyr Mattos, o “Saninha”, que também na presidência por muitos anos completou a obra do pai.
O futebol atrai centenas de pessoas ao Riachuelo Esporte Clube

Uma história de 100 anos se escreve com muita dedicação e até sacrifício. E isso é verdade à atuação de muitos presidentes do Riachuelo. Citar assim nomes é risco certo de cometer injustiça, por involuntária omissão. Dada porém a importância na história do clube, que desde então (e há 80 anos!) tem essa casa própria, lembrar o presidente da inauguração de 19 de março de 1933 é mais que justo: Manuel Vaz! Foi um trabalho ingente realizado em pouco tempo, e por alto custo, cortar grande aba do morro de Santo Antônio e aterrar o charco que ainda era todo o lado direito da matriz (de 1822), resquício da grande lagoa dos tempos coloniais. Sobreleva que o português Manuel Vaz era então sul paraibano de adoção de apenas 6 anos, pois viera de Cataguases em meados de 1926.
Associados tomando banho de piscina no REC

Para encerrar essa evocação da história do Riachuelo, e numa homenagem a outros grandes presidentes do passado, vale lembrar ainda esse sul paraibano de Itaperuna na cidade e no clube desde 1930, Lélio Garcia.
Festas também movimentam o clube

E nesses 100 anos, o Riachuelo tornou-se um dos mais populares na celebração de grandes eventos em nossa cidade, atraindo em suas imediações milhares de pessoas simples e populares. Pessoas como Pe. Robson, de Trindade – GO, o ex-presidente Lula, os ex-governadores Sérgio Cabral, Antony Garotinho e Rosinha Garotinho, além de ministros, secretários estaduais e deputados, além de famosos e artistas consagrados do nosso país.
Eurico Júnior e Pezão no campo do REC

No campo do Riachuelo, grandes personalidades posam em seus helicópteros. Hoje o local é o mais popular na recepção de pessoas que vêem na cidade de aeronaves, inclusive do Corpo de Bombeiros no resgate de vítimas de acidentes graves.
André Dias e Igor Dias, atletas, parabenizam o clube

No natal, o Papai Noel também faz a alegria da criançada. O bom velinho sempre inicia as festividades natalinas dentro do Rec. Atualmente, um dos fundadores, Lilico, é a pessoa mais ilustre que relembra a história do clube nos dias atuais. Ele sempre esteve ao lado de presidentes que passaram pela administração do clube, que hoje é de responsabilidade do empresário Alfredo Mattos.
Ailton, Amaral e Satã: funcionários do REC

Pessoas influentes na cidade e que são até hoje lembrados também já passaram pela presidência do Rec, entre eles Alfredo da Costa Mattos Júnior, Saninha, Guesinho, Miguel Dadazio, entre outros. Ao longo desses 100 anos de história, O Rec hoje é um local muito popular e querido por toda a cidade. Recebam as homenagens do portal Paraíba do Sul Agora por seu centenário.
Importantes jogos de futebol acontecem até os dias atuais no campo do REC.
A LSPD parabeniza o clube na pessoa do seu presidente
Luiz Fernando Santos


Redação | Paraíba do Sul AGORA
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